Imaginação e literatura infantil para uma conscientização ambiental

Existem inúmeras formas de despertar o interesse das crianças para a importância da preservação do meio ambiente. O gesto simbólico de plantar uma árvore é um exemplo. Mas outra forma criativa de falar sobre o tema na infância é estimular a imaginação e os sentidos através da literatura e da contação de histórias.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, conversamos com duas contadoras de histórias que fazem parte do projeto Baú das Histórias, do Sistema Municipal de Bibliotecas Escolares da Secretaria Municipal de Educação de Belém (SEMEC), que tem como objetivo levar a literatura infantil e infantojuvenil dentro de um baú para espaços educativos da capital paraense. Elas falam sobre a importância da literatura para a educação infantil e para a formação de uma geração mais sensível e comprometida com a preservação do meio ambiente.


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Um baú para levar crianças ao universo literário

Muito mais do que um espaço para armazenar livros, a proposta do Baú das Histórias é fomentar a criação de pontos irradiadores de cultura em espaços educativos onde não tinham bibliotecas, atraindo principalmente crianças e adolescentes.

Sônia Santos, contadora de histórias, autora e professora formadora do Baú das Histórias, explica que o objetivo do projeto sempre foi aproximar as crianças desse universo literário. “Um lugar de leitura lúdica, potencializadora, com ações organizadas pelos educadores desse espaço educativo, em que esse pequeno leitor pudesse mergulhar e descobrir as maravilhas desse universo, com histórias, brincadeiras, cantigas, e com isso proporcionar a livre expressão das diversas linguagens”, explica a professora.

Sônia Santos conta história para crianças da rede municipal de ensino de Belém (Foto: Acervo pessoal).

Mesmo para crianças pequenas, que ainda não conseguem decodificar e dominar a leitura sistemática, a Literatura desperta para uma formação sensível. Andréa Cozzi, que também é contadora de histórias e integrante do projeto, menciona Paulo Freire ao lembrar que a leitura de mundo precede a leitura da palavra. “A palavra nos acompanha desde bem pequenos. Nas cantigas de ninar, nos jogos com as palavras, trava-língua, adivinhas, parlendas, cantigas de roda, histórias ouvidas e contadas. Lemos o mundo o tempo todo, tais experiências são o nascedouro do encontro com a literatura, seja ela oral ou escrita”, comenta.

Daí a importância de permitir que a criança vivencie diferentes experiências com a palavra, como acontece na contação de histórias, um dos pilares do projeto. “Enredar narrativas de ontem e hoje nos fios da palavra, contada, cantada, tocada, cheirada. Fantoches, dedoches, livros de pano, de plástico, bonecas e bonecos de pano, colcha de retalhos, e outros itens que provocam sentidos e sensações. Experiência ímpar para os pequenos leitores”, explica Andréa.

Andréa Cozzi durante contação de história no projeto Baú das Histórias (Foto: Acervo pessoal).

 

O meio ambiente que chega através do universo literário

Segundo Andréa, o projeto Baú das Histórias também busca trabalhar numa perspectiva regional, trazendo referências amazônicas. “O cuidado com o meio ambiente traz a referência de nossos principais personagens do imaginário amazônico, que são guardiões e protetores das matas, das águas, dos animais”, comenta.

Mas para além do meio ambiente, Sônia Santos explica que é possível trabalhar qualquer temática com as crianças por meio da contação de histórias e da mediação de leitura. E que nem sempre é necessário levantar questionamentos sobre o tema apresentado, pois muitas vezes isso parte da própria criança. “Isso é muito rico. É você despertar a reflexão da criança de uma forma gostosa, de uma forma brincante, de uma forma lúdica”, comenta.

Os baús do projeto são confeccionados artesanalmente. Cada espaço educativo possui o seu, mas existe um no Sistema Municipal de Bibliotecas Escolares que é levado para as ações (Foto: Acervo pessoal).

Para qualquer pessoa, o despertar para o cuidado com o meio ambiente está diretamente ligado a ter um olhar mais sensível para o mundo que nos cerca. E essa sensibilidade pode ser despertada pelo contato com a literatura, conforme explica Sônia: “A literatura pode ajudar não só numa geração mais comprometida com o meio ambiente, quando a gente trata dessa temática, mas eu acredito que a literatura é capaz de ajudar na formação de uma geração comprometida com a humanidade”.

E Andréa complementa essa percepção, quando afirma que a literatura proporciona aos leitores a compreensão de que fazemos parte de um todo maior: esse meio ambiente que não é formado só pela fauna e pela flora, mas também pela diversidade cultural, pelos múltiplos modos de ser e saber, pelas tradições e identidades de cada povo. “Neste contato com as histórias vamos nos constituindo, encontrando caminhos de sentidos e sentimentos, criando vínculos, relações com outros. Sendo assim, vamos movimentando nosso modo de pensar e agir, entendendo que somos fios de uma teia, a da vida, e todos são importantes para a vida no planeta”, finaliza.


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