Projeto de destinação de resíduos sólidos em Curuçá-PA ajuda população local

Matéria: Frida Menezes
Edição: Élida Miranda

Em 2018, o Brasil gerou 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). O volume tornou o país campeão de geração de lixo na América Latina, representando 40% do total gerado na região (541 mil toneladas/dia, segundo a ONU Meio Ambiente). Ao serem descartados incorretamente, esses resíduos podem causar grandes danos ao meio ambiente, além de gerar doenças. 

Um projeto ambiental do município de Curuçá-PA mobiliza a nível local uma série de iniciativas que visam diminuir o impacto do lixo na região: o “Câmbio Azul”. Coordenado pela bióloga Josie Barbosa e realizado em parceria com a Prefeitura da cidade, a iniciativa faz circular no município uma “moeda ambiental”. Os moradores coletam resíduos sólidos e os trocam por estas moedas, que podem ser usadas em supermercados, farmácias, lojas e demais postos de comércio que possuem vínculo com o projeto. Estes estabelecimentos, que também destinam seus resíduos ao Câmbio Azul, posteriormente recebem em forma de dinheiro vivo do próprio projeto. A renda é adquirida pelo projeto através da venda dos resíduos para um local que faz a destinação correta. 

Local de funcionamento do projeto em Curuçá-PA (Imagem: Acervo Câmbio Azul)

A professora Josie, que também é coordenadora de atividades do projeto “Suruanã em proteção às tartarugas marinhas”, trabalha com foco em meio ambiente e em entrevista conta sobre o impacto do projeto na sociedade local. 

“Em 4 meses retiramos 25 toneladas de resíduos sólidos e circulamos 4 mil reais em câmbios na comunidade. Então, por exemplo, se uma família não tem dinheiro e não tem nada para se alimentar, se ela tem resíduo na casa dela com o câmbio ela já pode comprar o almoço”. O trabalho também é feito em escolas, onde é feita conscientização sobre como esse descarte correto também afeta as tartarugas marinhas. 

Caminhão com resíduos sólidos. (Imagem: Acervo Câmbio Azul)

Dessa maneira, o projeto atua na economia local podendo ajudar com renda. Ocorre, dessa maneira, um triplo benefício: ajuda o meio ambiente, a economia local e a renda da população que precisa. 

O Câmbio Azul, que também ajudou a diminuir a queima de lixo e o seu descarte incorreto, envolve ainda a juventude da cidade, que trabalha como voluntária através da escola.

A professora também lembra da importância do descarte correto que impacta diretamente o meio ambiente. “Toda vez que eu, ao invés de queimar o lixo no meu quintal, dou um destino correto a ele, estou contribuindo para a conservação da Amazônia”.

 

Como participar
Neste período de pandemia, ainda é possível ajudar e o projeto está funcionando. Para ser parceiro, é possível atuar de forma voluntária ou atuar na entrega de resíduos. Para isso, basta entrar em contato com a coordenadora de atividades Luana Chucre pelo número (91) 99219-4678. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *