Assistente social fala sobre migração dos povos indígenas venezuelanos para Belém

Matéria: Frida Menezes

9 de agosto é o Dia Internacional dos Povos Indígenas. De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), até junho de 2020 existiam 5.020 indígenas venezuelanos refugiados e migrantes registrados no Brasil. Essa população passa por diversas dificuldades e está resistindo e tentando manter sua cultura, mesmo em outro país. 

Desde 2017, milhares de venezuelanos migram para o Brasil, motivados por uma perspectiva melhor de vida, dado o contexto sociopolítico da Venezuela. Atualmente estima-se que existem 600 imigrantes venezuelanos na Região Metropolitana de Belém, com suas especificidades e necessidades. Uma grande preocupação é como está a situação das crianças dessas famílias: estão sendo assistidas? Convidamos a assistente social Joana Lima, articuladora regional da Cáritas Brasileira Regional Norte II, que tem acompanhado de perto como tem sido este processo em Belém. Confira nesta edição do programa “É sério isso?!”:

* Vídeo gravado antes da pandemia do novo coronavírus.

 

Dificuldades e preconceito

Na medida em que o povo Warao foi chegando no nosso país, um enorme preconceito se criou por parte da população local. Sua condição nas ruas causava (e ainda causa) incômodo e durante algum tempo não havia políticas públicas para acolher os migrantes que chegavam.

A necessidade de obter recursos e de se manter leva estas pessoas a irem às ruas coletar dinheiro, levando bebês e crianças consigo, com riscos diversos à saúde e desenvolvimento. Outra forma que têm encontrado para conseguir recursos é através da confecção de artesanatos, típicos da sua cultura, dependendo da realização de feiras para a venda destes.

Porém, esta é uma situação muito complexa. De acordo com Joana Lima, existem aqueles que não se adaptam ou não aceitam as condições dos abrigos oferecidos pela prefeitura, e necessitam pagar aluguel de pequenos quartos com condições ruins. A gestão municipal é responsável por fornecer alimentos, além de fornecer atendimento de saúde com o Consultório de Rua, que oferece atendimento de saúde como consultas, exames e vacinas. Mas ainda é alto o número de mortes. De acordo com a ACNUR, a maioria desses óbitos é agravada pela precariedade da situação de moradia e das condições do deslocamento da população indígena venezuelana. Além disso, o número de crianças venezuelanas com acesso à educação ainda é pequeno e estes dependem do ensino público. 

É necessário o desenvolvimento de políticas públicas que atendam adequadamente essa população que já está há 3 anos passando por diversas dificuldades no nosso país e no Estado do Pará. De acordo com Joana Lima, a Cáritas Brasileira continua trabalhando para garantir da melhor forma estes direitos e para que sejam cumpridas as obrigações do poder público, além de ajudar diretamente com doações. 

Para ajudar a Cáritas na causa dos indígenas venezuelanos qualquer pessoa ou entidade pode contribuir com alimentos, material de limpeza, roupas e sapatos em boas condições:

Cáritas Brasileira Regional Norte II
Endereço: Travessa Barão do Triunfo, 3151, Marco, Belém-PA.
Contatos: (91) 3347-9809 / caritasnorte2@caritas.org.br

Responsável Legal da Cáritas Brasileira Regional Norte II:
Keila Marães Giffoni
Contatos: (91) 99276-8168 / keila@caritas.org.br

Conta para contribuições em dinheiro:
CNPJ: 33.654.419/0003-88
Banco do Brasil
Agência: 4451-2
Conta: 16532-8

 

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