Literatura e audiovisual são aliadas numa educação para a diversidade racial

Duas semanas de grandes protestos nos EUA, milhares de manifestações nas redes sociais ao redor do mundo, pessoas comuns e artistas aderindo à causa #blacklivesmatter (#vidasnegrasimportam, em português) e uma questão-chave por trás de todos esses acontecimentos: por que as vidas negras parecem importar menos?

Para a psicóloga e doutoranda em Psicologia Flávia Câmara, ninguém nasce preconceituoso. Todos nós somos frutos de uma sociedade desigual e que por objetivos específicos inferiorizam alguns. Por isso é necessário falar sobre essas desigualdades e sobre diversidade racial desde cedo com as crianças. “É importante compreender que ninguém nasce programado para odiar ninguém. Desse modo, é preciso conversar com as crianças sobre os mais variados assuntos, pois estão em desenvolvimento e assimilando processos de aprendizagem institucionais e culturais, o que significa cada coisa: seu corpo, o corpo dos outros, o mundo. E quanto mais cedo ela começar a compreender as diferenças de forma positiva, melhor.”, explica a psicóloga.

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Nessa segunda postagem sobre consciência racial, trouxemos mais algumas dicas de conteúdos que a própria Flávia Câmara indicou. Ela conta que existem muitos exemplos de obras literárias que abordam a diversidade racial e que o Espaço Cultural Nossa Biblioteca, que fica no Guamá (Belém-PA), tem muitas dessas literaturas, além de sempre estar trabalhando essas questões com crianças, adolescentes e adultos. Confira e ajude a disseminar entre as crianças que as vidas negras importam, sim!

1 – Doutora Brinquedos (série)

A série conta a história de uma garotinha negra de seis anos que tem a habilidade e a magia natural de se comunicar e cuidar dos bonecos e dos bichinhos de pelúcia em sua clínica de brinquedos. Ela sonha em ser médica como sua mãe. A história também conta com músicas educativas em alguns episódios que ensinam sobre saúde às crianças. Confira aqui a playlist da série no canal da Disney Junior.

 

2 – A princesa e o sapo (filme)

A animação da Disney conta a história de Tiana, uma jovem inteligente, perseverante e excelente cozinheira que sonha em ter seu próprio restaurante. Ela conhece um príncipe que foi enfeitiçado e transformado num sapo, e que só pode desfazer um feitiço se for beijado por uma princesa. O filme, que tem como protagonistas personagens negros, traz a mensagem sobre o que realmente é importante na vida.

 

3 – Amoras (livro)

O livro infantil do cantor Emicida conta uma história cheia de simplicidade e poesia, abordando questões como negritude, representatividade, preconceito e autoconfiança. O livro foi inspirado em uma de suas filhas: quando pequena, estava debaixo de uma amoreira com o pai, que comentou sobre a beleza das amoras: quanto mais pretas, mais doces. É aí que a menina se reconhece e assimila sua própria identidade. “Que a doçura das frutinhas sabor acalanto/ Fez a criança sozinha alcançar a conclusão/ Papai que bom, porque eu sou pretinha também” (canta Emicida na música composta por ele, que também se chama “Amoras”).

 

4 – Cadernos de rimas de João (livro)

“O menino João encanta os leitores com rimas espontâneas e temáticas diversas. Ele nos apresenta, de um jeito divertido, os assuntos de um modo mais colorido.” (Pallas Editora). A obra é do autor e ator Lázaro Ramos, e conta com as ilustrações de Mauricio Negro. Nas palavra de Lázaro, a inspiração veio de seu filho, que lhe perguntava várias coisas que ele tentava explicar na forma de rima. “Pensei em fazer um tipo de dicionário, para os pais explicarem coisas para os filhos de maneira lúdica e poética” (Fonte: Revista Crescer).

 

5 – Meu crespo é de rainha (Livro)

O livro é um poema ilustrado que aborda de forma delicada a diversidade e a beleza dos cabelos crespos e cacheados. Primeiro livro infantil da ativista americana bell hooks, a obra conta com as ilustrações em aquarela de Chris Raschka e a tradução da poeta Nina Rizzi. A narrativa traz uma reflexão fundamental para crianças negras e não negras: valorização da diversidade e da beleza afro. A edição original da obra é do final da década de 90, e foi motivado por uma história real, quando uma professora de bell leu um livro chamado “Nappy hair” (“cabelo ruim”) e a ativista resolveu escrever um livro em resposta ao racismo.

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