Conteúdos educativos podem ajudar a desenvolver consciência racial entre as crianças

Vivemos num país onde os negros são a maioria da população, mas não são maioria nas novelas, nos filmes, nos anúncios publicitários, nos telejornais, nas histórias de princesas e de heróis. Como as crianças podem desenvolver uma consciência racial vivendo numa sociedade que mascara e naturaliza essa falta de representatividade?

Conversamos com a psicóloga e doutoranda em Psicologia Flávia Câmara, que explicou um pouco sobre a importância de falar sobre consciência racial com todas as crianças e como elas precisam ser ensinadas desde cedo que seu corpo é marcado racialmente: “É negro, é branco, é indígena, é amarelo. E a partir daí construir modos mais saudáveis de compreensão de si e do outro, o que não significa negar que existe o racismo e as violências, mas serem ensinadas a reconhecer essas práticas, pensamentos, sentimentos e não repeti-los”.

Confira edição do programa Estação Direitos sobre racismo e preconceito

Flávia, que também é integrante do CEDENPA (Centro de Estudos e Defesa do Negro) e do grupo de pesquisa NOS MULHERES pela equidade de gênero e etnicorracial, explica que quanto mais cedo buscarmos criar essa conscientização, as chances de formar adultos que respeitam as diferenças são maiores. “Então quanto antes esses silêncios que pairam sobre as relações raciais, as histórias oficiais forem quebrados, as possibilidades dessa criança se tornar um adulto de fato antirracista e que respeita e acolhe as diferenças são maiores”, comenta.

Representatividade

Uma das maneiras de ajudar a desenvolver uma consciência racial entre as crianças é conduzir uma boa discussão a partir de algumas obras literárias ou filmes que tenham personagens negros como protagonistas. Portanto, a partir de hoje vamos divulgar uma série de conteúdos que podem ajudar pais, professores e demais interessados nesse debate:

 

1 – Jeremias: Pele

“Jeremias é um dos melhores alunos da classe. Tem vários amigos e uma rotina muito feliz ao lado dos pais. Até o dia em que ele encara o preconceito por causa da cor da sua pele” (Fonte: Universo HQ). O roteirista Rafael Calça e o desenhista Jefferson Costa dão vida a uma história forte, dura e emocionante, na qual o personagem Jeremias (dos gibis da Turma da Mônica) enfrenta dor, superação e um duro aprendizado. O quadrinho da Mauricio de Sousa Produções, que encanta muitos jovens e adultos também, venceu o Prêmio Jabuti 2019 na categoria Melhor História em Quadrinhos.

 

2 – O Pequeno Príncipe Preto

Em um minúsculo planeta, vive o Pequeno Príncipe Preto. Além dele, existe apenas uma árvore Baobá, sua única companheira. O menino viaja por diferentes planetas, espalhando lições de amor, empatia e a importância de as pessoas valorizarem quem são e de onde vieram. O texto é originalmente uma peça infantil que já rodou o país inteiro. Agora, o autor Rodrigo França (premiado ator, diretor, roteirista, filósofo e cientista social) traz a história no formato de conto. A obra é uma releitura do título “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, conhecido mundialmente. (Fonte: almapreta.com)

 

3 – Kiriku e a Feiticeira

Na África Ocidental, nasce um menino minúsculo, cujo tamanho não alcança nem o joelho de um adulto, que tem um destino: enfrentar a poderosa e malvada feiticeira Karabá, que secou a fonte d’água da aldeia de Kiriku, engoliu todos os homens que foram enfrentá-la e ainda pegou todo o ouro que tinham. Para isso, Kiriku enfrenta muitos perigos e se aventura por lugares onde somente pessoas pequeninas poderiam entrar (Fonte: Geledés). O filme é uma indicação de Flávia Câmara, e pode ser encontrado na íntegra no Youtube.

 

4 – Racismo e preconceito, não!

Este clipe infantil é uma produção da Rádio Margarida que traz personagens de diferentes raças e a mensagem de que “O mundo é colorido” e “Bonito é ser diferente”. O vídeo faz parte da série Super ECA e seus clipes animados, o super herói que defende o Estatuto da Criança e do Adolescente. A letra é da banda Buscapé Blues, as vozes são do Coro Juvenil Florescendo e o arranjo, piano, teclado e órgão são de Luiz Pardal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *