Coronavírus entre crianças: riscos e prevenção

Os dados mostram que as crianças são tão vulneráveis quanto os adultos a contraírem o novo coronavírus. Esta é a conclusão de um estudo recente realizado na cidade de Shenzen, na China. Porém, estudos anteriores já haviam indicado que as crianças não desenvolvem sintomas graves associados ao coronavírus e que a taxa de mortalidade entre elas é extremamente baixa. 

“As crianças estão sendo infectadas, mas não adoecem na mesma proporção”, destacou Justin Lessler, um epidemiologista da Universidade Johns Hopkins, nos EUA (Fonte: O Globo). 

Os dados oficiais estão mostrando que a faixa etária que desenvolve os casos mais graves da Covid-19 são os idosos. De acordo com o biomédico e pesquisador na área de Microbiologia da UFPA, Dr. Fernando Costa, uma das hipóteses é relacionada à questão imunológica: “O sistema imune de uma criança é muito mais eficiente que o de um idoso”. 

Porém, segundo as recomendações do Ministério da Saúde, é importante que crianças e adolescentes pratiquem os mesmos métodos de prevenção indicados para adultos:

 

Prevenção nas escolas

Sabemos que os vírus se propagam com mais facilidade em ambientes fechados e com aglomeração de pessoas. Por isso, é importante que escolas incentivem e criem metodologias para a prevenção da doença dentro de seus espaços.

Vídeo dos vietnamitas Quang Đăng mostra de forma divertida como lavar as mãos.

Uma possibilidade é realizar programações educativas com especialistas, que podem falar sobre o novo coronavírus e explicar as formas de prevenção. Outra dica pode ser realizada pelos próprios professores: demonstrar a maneira correta de lavar e higienizar as mãos, bem como enumerar comportamentos simples do dia-a-dia que podem evitar a disseminação da Covid-19 (e de outras doenças).

Coronavírus: crianças precisam ser orientadas quanto à lavagem correta das mãos.

De acordo com o Dr. Fernando Costa, o que deve ser feito de prevenção nas escolas é o mesmo que está sendo feita para a população em geral: “A principal recomendação é uma lavagem eficiente das mãos, com água e sabão. Isso deve ser bem difundido nas escolas, os professores devem orientar a lavar a cada intervalo de duas horas. Outra é usar o álcool em gel na composição de 70%”. Segundo Fernando, no momento não há a necessidade de uso de máscaras pela população em geral, apenas nos casos de pacientes comprovadamente infectados ou com suspeita e para a equipe médica e pessoas próximas desses pacientes.

Perguntas e respostas: a BBC Brasil respondeu uma série de dúvidas relacionadas ao novo coronavírus

Cuidado com as informações falsas

Fernando Costa também lembra da recomendação feita pelo Ministério da Saúde em relação às notícias falsas. “Evitar divulgar as chamadas fake news, porque são elas que acabam causando pânico na população. Uma coisa que tem causado alarde é a facilidade de transmissão do vírus. Mas a taxa de mortalidade é comprovadamente muito baixa. Então não há motivos para pânico”. 

Como muitas crianças e adolescentes têm facilidade de acesso à internet, é importante que elas sejam orientadas em relação a isso também. “O próprio site do Ministério da Saúde divulgou uma página mostrando todas as notícias falsas relacionadas ao coronavírus”, explica o Dr. Fernando. 

Cuidados com gestantes

No mês de fevereiro, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) publicou um comunicado para orientar médicos e pacientes grávidas.

Segundo a Febrasgo, as instruções são baseadas na literatura médica já existente sobre outras doenças respiratórias, como o H1N1. No que se refere às mulheres grávidas, as recomendações são as mesmas disseminadas pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde para a população em geral: higienizar bem as mãos, evitar contato das mãos com boca, nariz ou olhos e evitar aglomerações, contato com pessoas febris e com pessoas com sintomas de infecção respiratória.

As grávidas pré-diagnosticadas como “caso suspeito” deverão ficar hospitalizadas até que os exames capazes de concluir o laudo sejam feitos. 

Não há nenhuma comprovação de que grávidas podem passar o vírus para o feto, nem de que o vírus pode ser transmitido pelo leite materno. Mas o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, afirma que o vírus não foi detectado em nenhuma amostra de líquido amniótico nem de leite materno até o momento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *