Entenda os limites para o uso de celular na infância

Matéria: Camila Leal
Edição: Élida Cristo Miranda

 

Já parou para pensar no quão prejudicial pode ser a interferência de um objeto tão pequeno como o smartphone na vida das crianças? Segundo o relatório “Crianças e smartphones no Brasil”, de Outubro de 2019, elas estão ganhando celular com acesso à internet cada vez mais cedo. A pesquisa produzida pelo site de notícias Mobile Time e pela empresa de soluções de pesquisas Opinion Box mostra que 74% das crianças entre 10 e 12 anos já possuem seu próprio celular e que 54% de crianças de zero a 3 anos não possuem, mas utilizam dos pais. No total, 83% das crianças brasileiras de 0 a 12 anos acessam um smartphone.

Fonte: Relatório “Crianças e smartphones no Brasil” (2019).

Apesar de ter facilitado o acesso à informação e a conteúdos de entretenimento, o uso em excesso de celulares e tablets desde muito cedo pode ser prejudicial. De acordo com a pesquisa “A presença das tecnologias no desenvolvimento das crianças”, o hábito do uso do celular pelas crianças advém dos pais. Os celulares são usados como objetos de distração para as crianças. O problema não estaria no uso, mas no objetivo e na frequência em que são utilizados. O uso desde pequeno poderia acarretar problemas de visão, dependência, prejudicar os processos comuns às crianças, como sair de casa, brincar, conversar e praticar esporte.

 

Consequências ainda estão sendo estudadas e dependem da idade e do nível e tempo de exposição

Segundo a psicóloga e pesquisadora da Universidade Federal do Pará, Milene Veloso, os pediatras aconselham que se evite expor as crianças às telas de celulares e tablets antes dos 3 anos de idade. O uso das tecnologias pode interferir em padrões de sono, alimentação e interação social, o que pode causar nas crianças transtornos alimentares, obesidade, complicações no desenvolvimento socioafetivo, dentre outros problemas. Mas a psicóloga explica que as possíveis consequências ainda estão em estudo, e que dependem do tempo e da intensidade da exposição da criança.

Milene cita alguns malefícios decorrentes do uso em excesso: “Podemos dar dois exemplos. A Nomofobia, que é o desconforto ou a angústia causada pela impossibilidade de comunicação através de aparelhos celulares ou computadores. É uma fobia que surge quando alguém se sente impossibilitado de se expressar virtualmente ou quando o indivíduo se vê incomunicável por estar sem seu aparelho de celular. Surge um medo irracional persistente e excessivo de ficar sem o aparelho a ponto de gerar uma resposta imediata de ansiedade. Outra possibilidade, ainda em estudo, é a Internet Gaming Disorder, que foi incluída na seção III da quinta edição do DSM (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) como uma condição que necessita de mais pesquisas clínicas e experimentais para poder ser considerada como um transtorno formal (American Psychiatric Association, 2013)”, afirmou. O Internet Gaming Disorder seria um tipo de transtorno relacionado a jogos online.

Além disso, de acordo com Milene Veloso, o nível de informação precisa ser filtrado para evitar um descompasso entre o que a criança tem condições de assimilar, conforme sua faixa etária. Por isso, a supervisão dos pais é indispensável. “Não precisa demonizar as tecnologias, mas orientar e cuidar das crianças para que possam aprender a se relacionar com as tecnologias de forma saudável.” finalizou.

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