Professor implementa modelo de ensino/aprendizado colaborativo no interior do Pará

Matéria: Camila Leal
Edição: Élida Cristo Miranda

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que houve aumento na evasão escolar no Brasil de 2014 a 2017. A evasão é maior nas escolas rurais, em todas as etapas de ensino. O Pará tem a mais alta taxa de evasão, chegando a 16% no Ensino Médio. Apesar dos dados desanimadores, muitos professores produzem os mais diversos tipos de projetos com objetivo de mudar a realidade desses jovens a partir do conhecimento e aprendizagem. Na terceira matéria produzida para a semana em que se comemora o dia do professor, trouxemos a história de Eliézer Abreu, que implementou um modelo de ensino/aprendizado colaborativo no município de Salinópolis, no interior do Pará.

 

Modelo de aprendizagem colaborativo 

Eliézer Abreu dá aula há treze anos. Professor de Geografia, ele desenvolveu no seu mestrado um modelo de aprendizagem com alunos do 2º ano do Ensino Médio da rede estadual de ensino em Salinópolis. Seu projeto propõe a substituição do padrão de ensino tradicional: “O modelo de aprendizagem é chamado colaborativo. A gente substitui o modelo atual de ensino, que é o individual e classificatório, por um modelo mais humanizado, que é a abordagem colaborativa”.

Modelo de ensino/aprendizagem tradicional (Imagem: Eliézer Abreu).

 

Modelo de ensino/aprendizagem colaborativo (Imagem: Eliézer Abreu).

O aprendizado se torna mais humano porque aproxima o ensino da realidade dos estudantes. “Na metodologia colaborativa os alunos aprendem em grupos de estudos. A gente coloca alunos com diferentes níveis de aprendizagem para trabalharem juntos. Isso torna o processo de ensino e do aprendizado mais humano. E pondera as questões que são inerentes à escola pública, como as diferenças sociais, as diferenças econômicas entre esses alunos”, explica Eliézer. 

Alunos em sala de aula estudando a partir do modelo colaborativo (Foto: Acervo pessoal).

 

Aprendizado a partir da realidade dos alunos e da sua diversidade

A Geografia, disciplina ministrada por Eliézer, torna-se visível, palpável. Questões sociais deixam de ser apenas teoria presente nos livros para se tornar um conhecimento construído por todos, em conjunto, com cada aluno trazendo sua realidade para a sala de aula. “O bacana desse modelo é que eu consigo colocar alunos de diferentes concepções para entenderem o quão diverso é a estrutura da escola pública. Eu tenho alunos negros, homosexuais, lésbicas, alunos de zona rural, zona urbana… E há preconceitos, porque esses alunos têm concepções de mundo muito diferentes”, explica o professor.

Alunos em sala de aula estudando a partir do modelo colaborativo (Foto: Acervo pessoal).

Ao confrontar os estudantes com as suas diferenças, o projeto possibilita também uma formação para a cidadania e até mesmo para a vida. “Colocar esses sujeitos diferentes para entender que no contexto de aprendizagem eles precisam compreender a diversidade foi muito bacana, porque deu condições para eles perceberem que a concepção e experiência de vida que eles trazem é importante, independente de região, concepção política etc. Eu acho que a escola é isso, um espaço de formação não só do cidadão, mas de formação humana”, conclui Eliézer. 

Professores de Salinópolis que implementaram em suas aulas o modelo de ensino/aprendizagem colaborativo (Imagem: Acervo pessoal).

 

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