Setembro Amarelo: depressão e suicídio entre crianças e adolescentes

Matéria: Camila Leal
Edição: Élida Cristo Miranda

 

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) coletados entre 2011 e 2016, a taxa de suicídio cresceu 7% no Brasil a cada 100 mil habitantes. Ele é a segunda maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos. Por isso, no mês de prevenção ao suicídio, conhecido como Setembro Amarelo, trazemos algumas dicas de como identificar e lidar com essa situação entre nossas crianças e adolescentes.

Quais as principais causas? O que faz pessoas tão jovens quererem tirar a própria vida?
Suicídio é um fenômeno que inclui vários fatores, não é possível atribuir a uma única causa. Segundo a pesquisa de Evelyn Kuczynski, o desejo de morte pode variar, mas sofre sempre a influência de pressões e estresses do ambiente na qual a pessoa está inserida. Desesperança, dificuldade ou falta de interesse para enfrentar situações, internalização de eventos negativos e traumáticos, estresses agudos ou crônicos da vida, ter passado ou passar por violência baseada gênero, abuso infantil ou discriminação podem desencadear transtornos que depois levam ao suicídio.

Confira esta série de vídeos produzidos pelo Centro de Valorização da Vida – CVV em parceria com o Unicef sobre algumas causas que podem desencadear depressão ou até mesmo o suicídio entre jovens.

Como identificar se uma criança ou adolescente está com tendências suicidas?
É preciso estar atento para os sinais que as crianças e adolescentes podem dar. Segundo o site da campanha “Setembro Amarelo”, isolamento, falta de vontade de fazer coisas que antes gostava, mudanças marcantes de hábitos, descuido com aparência, piora do desempenho na escola, alterações no sono e no apetite, frases como “preferia estar morto”, “quero desaparecer” ou “seria melhor se eu morresse”, podem ser sinais de que a criança ou adolescente está precisando de ajuda. É importante ressaltar que uma pessoa nessa situação não quer chamar atenção. Essa é uma situação que muitas vezes está associada à presença de transtornos psiquiátricos, como a depressão. 

O que os responsáveis devem fazer?
Se você acredita que sua criança ou adolescente já apresenta sinais que podem levar a atitudes suicidas, compreender que apenas o afeto familiar e conversas não vão ser suficientes é o primeiro passo. O segundo é procurar ajuda de um(a) psicólogo(a) qualificado(a) para lidar com crianças e adolescentes, pois ele(a) auxiliará a família sobre que atitudes tomar e como tirar a criança ou adolescente do estado em que se encontra Além disso, procure saber mais sobre o tema, pesquise informações, como matérias e vídeos de fontes confiáveis  que possam ajudar a compreender melhor a situação. Faça a criança/o adolescente enxergar que não está sozinha(o) e que tem seu apoio.

 O Centro de Valorização da Vida (CVV) possui voluntários disponíveis 24h por dia, dando apoio emocional e prevenindo o suicídio. Os atendimentos podem ser feitos via chat pelo site ou pelo número 188. A ligação é gratuita e sob total sigilo. Em 2019, a procura pelo serviço cresceu e precisa de novos voluntários. Acesse o site para saber mais sobre como participar.

Os fatores que levam uma pessoa a cometer suicídio variam, mas é a forma como podemos ajudar o que mais importa. Neste vídeo, produzido pelo Ministério da Saúde,  a especialista  Livia Vitenti explica como podemos ficar atentos a #sinaisdealerta, o que fazer caso alguém próximo precise de ajuda e onde buscar apoio.

Escolas e hospitais terão que notificar tentativas de suicídio
Em abril deste ano, o Governo Federal sancionou a Lei 3.819, que cria a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. Segundo a Lei, os estabelecimentos de saúde e as escolas devem informar ao Conselho Tutelar nos casos que envolvem crianças e adolescentes. A lei tem como objetivo, dentre outras coisas, garantir o acesso ao atendimento psicossocial das pessoas em sofrimento psíquico, especialmente daquelas com histórico de ideação suicida, auto mutilação e tentativa de suicídio; bem como a abordagem adequada de familiares e de pessoas próximas das vítimas de suicídio para garantir-lhes assistência psicossocial.

Onde buscar atendimento gratuito em Belém

  • CASA MENTAL DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
    O Centro Psicossocial da Criança e do Adolescente (CAPSI) é um serviço especializado em saúde mental, destinado ao atendimento de crianças e adolescentes que apresentam sofrimento psíquico, na faixa etária de 05 a 17 anos de idade.
    Horário: de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.
    Endereço: Av. Duque de Caxias, entre Trav. Barão do Triunfo e Trav. Mauriti, em frente ao SESI.
    Contato: 3228-2997
    E-mail: capsicapsi@yahoo.com.br

Confira aqui a lista dos Centros de Atenção Psicossocial do Pará.

Confira aqui o ebook “Valorização da vida na adolescência: ferramentas vivenciais”  que explica sobre o comportamento suicida na adolescência e traz modelos de rodas de conversas e dinâmicas de grupo e jogos que visam a valorização da vida e prevenção ao suicídio.

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