Combate à poluição através da conscientização e educação ambiental

Foto: Projeto de educação ambiental Coleta Seletiva de Lixo, realizado pela Rádio Margarida entre 2000 e 2001.

Matéria: Camila Leal
Edição: Élida Cristo Miranda

A questão do lixo nos centros urbanos é um grande nó crítico da sociedade contemporânea e muito difícil de resolver. Recentemente, a população da Região Metropolitana de Belém se viu diante de um impasse relacionado ao destino dos seus resíduos sólidos. A ameaça de fechamento do Aterro Sanitário de Marituba levantou um debate para além do fim do contrato com a empresa responsável, e que pouco vimos ser discutido pelo poder público, pela imprensa e pela sociedade de uma maneira geral: o que fazer para diminuir a grande quantidade de lixo que estamos produzindo diariamente?

Segundo Mikaela Neves, educadora da ONG No olhar, apesar da recente Lei 12305/10 que institui a política nacional de resíduos sólidos, proibindo a existência de lixões, a nossa realidade é outra, pois ainda convivemos com lixões em algumas regiões metropolitanas e a coleta seletiva não existe.  

Lixão do Aurá, desativado em 2015 (Fonte: Diário Online)

A destinação dos lixos é um dos grandes problemas do Estado do Pará. Os municípios do interior ainda convivem com os chamados “lixões”. E a Região Metropolitana, embora hoje tenha o aterro sanitário, se vê diante de impasses mesmo depois do fechamento do “Lixão do Aurá” em 2015: a situação se agravou em 2017, quando moradores de Marituba começaram a reclamar do cheiro que vinha do Aterro Sanitário de Marituba, que recebe atualmente os lixos das cidades de Belém, Ananindeua, Marituba e de empresas privadas, devido ao excesso e falta de tratamento. 

Foto: Aterro Sanitário de Marituba (Fonte: Agência Pará)

Após a descoberta de crimes ambientais, a Região Metropolitana de Belém se viu diante da intenção da empresa responsável (Guamá Tratamento de Resíduos) de fechar o aterro, sob a justificativa da falta de espaço para agregar os lixos da cidade de Belém e Ananindeua. Desde 2018 a empresa vinha negociando com os municípios para aumentar o valor pago por tonelada de lixo. Em julho de 2019, ficou acordado entre as prefeituras e a empresa de tratamento o aumento no valor pago por tonelada de lixo de R$ 60 para  R$ 90, e o aterro continuará funcionando por mais dois anos. 

Sem a captação do Aterro Sanitário de Marituba, a prefeitura manifestou a possibilidade de reabrir o lixão do Aurá, fechado por não obedecer a Lei de Resíduos Sólidos decretada em 2010. Na época, o local não tinha mais capacidade de receber lixo, pois contaminava o meio ambiente e trazia riscos à saúde pública e à bacia hidrográfica da região. 

 

Atuação do poder público e da população 

A falta de conscientização da população para o destino do lixo e a falta de campanhas, incentivos e fiscalização do poder público são problemas que precisam ser considerados. Estas são estratégias que ajudariam na diminuição do volume de resíduos sólidos dos aterros sanitários (e dos lixões), através da reciclagem ou da coleta seletiva, por exemplo. 

Uma das atitudes que precisam ser tomadas, segundo Mikaela Neves, educadora da ONG No olhar, é trabalhar com campanhas educativas. “Essa base é formada principalmente pelo ambiente escolar e através de projetos permanentes com objetivo de estimular o protagonismo jovem, para o desenvolvimento de uma cultura sustentável”, explica Mikaela.

Para José Arnaud, coordenador e arte-educador da Rádio Margarida, a conscientização que vem pela educação ambiental é fundamental para superar o problema do lixo. “Nós em Belém temos esse problema de conscientização, as pessoas jogam lixo pela janela do carro, pela janela do ônibus, então seria preciso um investimento alto em educação ambiental e isso passa por diversas possibilidades. Para trabalhar esses conceitos paralelos à educação formal, o professor às vezes não tem o recurso necessário, então seria interessante o poder público pactuar com outras instituições do setor privado ou do terceiro setor, como as ONG’s, para que elas pudessem atuar dentro das escolas trabalhando essa questão da educação ambiental.” 

Projeto de Educação Ambiental na CADAM, realizado pela Rádio Margarida em 2007.

Atualmente, segundo o site da Prefeitura de Belém, a coleta seletiva é realizada pela Secretaria de Saneamento com outras instituições que doam o material reciclável (vidro, papel, papelão, plástico, alumínio), que é coletado pela Cooperativa de Trabalhadores do Aterro Sanitário do Aurá (COOTPA). 

 

Pequenas atitudes que fazem a diferença

Segundo Arnaud, as pessoas não pensam nas pequenas atitudes que elas têm durante seu dia a dia dentro das casas, na rua, nos espaços de trabalho. A maioria das pessoas não está preocupada com a consequência dos seus atos.

Consumo consciente e coleta seletiva devem ser norteadores de um novo pensamento da sociedade para uma melhor qualidade de vida. De acordo com Mikaela Neves, “É necessário que haja a disseminação da cultura do preciclar, que significa pensar antes de comprarmos. Além disso, a urgente participação dos catadores e cooperativas de catadores é de fundamental importância, para a melhor destinação dos resíduos produzidos pelos centros urbanos”, afirmou a educadora.

Um caminho para a solução dos problemas relacionados com o lixo é apontado pelo Princípio dos Três Erres (3R’s) – reduzir, reutilizar e reciclar. Fatores associados com estes princípios devem ser considerados, como o ideal de prevenção e não-geração de resíduos, somados à adoção de padrões de consumo sustentável, visando poupar os recursos naturais e conter o desperdício.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente

Confira o que você pode fazer:

– Doar produtos que possam servir a outras pessoas;

– Comprar produtos duráveis e resistentes, evitando comprar produtos descartáveis;

– Separar os materiais recicláveis e encaminhá-los para artesãos, catadores, entidades ou empresas que reutilizarão ou reciclarão os materiais;

– Usar detergentes e produtos de limpeza biodegradáveis;

– Deixar os pneus velhos nas oficinas de troca, pois elas são responsáveis pelo destino final adequado;

– Levar sacolas ou carrinho de feira para carregar as compras, em substituição às sacolas oferecidas nas lojas e supermercados;

Reutilizar embalagens de manteiga e margarina ou outros potes desta natureza para guardar sobras de comida em geral ou para fazer de porta-trecos.

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