ONG Rádio Margarida completa 28 anos com novos projetos

A Rádio Margarida completa 28 anos de atuação, no próximo dia 20 de julho. Rumo aos 30 anos, a ONG se mantém no cenário do terceiro setor em uma trajetória sólida que concilia a linguagem artística com os meios de comunicação social, levando informação e cultura sobre os mais diversos temas, voltados para a valorização dos direitos humanos e do meio ambiente, com foco nos direitos de crianças e adolescentes na Amazônia.

A ONG nasceu em 20 de julho de 1991. Desde então, já foram executados mais de 60 projetos, que possibilitaram beneficiar diretamente milhares de pessoas e outras milhões por meio das plataformas online (Youtube, Portal e Facebook). A coordenadora geral da ONG, Nayara Lima, explica sobre a relação entre o método de educação popular da ONG e os públicos beneficiados. “De maneira geral, existem dois tipos de público da Rádio Margarida. O primeiro se refere aqueles que são sensibilizados através das ações e dos produtos da Rádio. São pessoas que muitas das vezes não conseguiriam compreender de maneira eficaz aquela mensagem dita de uma maneira formal e que através do método de educação popular conseguem dar algum significado e relacionar aquela mensagem com sua vida. O segundo tipo de público são professores, agentes sociais e outros profissionais que perceberam que essa metodologia de educação popular pode auxiliar em sua atuação e se tornam multiplicadores, aumentando assim o alcance das ações da Rádio Margarida”.

Perspectivas de maior inserção no ambiente digital, sem perder a origem mambembe

Perspectivas para o futuro – Com base na ampla experiência em produção de materiais educativos, como vídeos, videoaulas, documentários, radionovelas e spots, a Rádio Margarida está iniciando um projeto de investimento em produção audiovisual, voltado especificamente para mídias digitais, acompanhando o cenário de convergência dos meios e migração do público para a web.

Osmar Pancera, coordenador de captação de projetos, comenta sobre esse momento vivenciado pela instituição. “Rumo aos 30 anos, queremos estar cada vez mais digitais, chegando a vários lugares que nós, somente com as rodas do ônibus, não poderíamos chegar. Mas, agora vamos, de forma digital, por meio do portal da Rádio e das Redes Sociais, continuar com nossos princípios de direitos humanos, cidadania, arte, cultura, educação e meio ambiente”.

Um dos investimentos da Rádio tem sido no Youtube, com frequentes postagens de séries já produzidas em anos anteriores e também com novos quadros, como a série “É Sério isso?” que está no primeiro episódio e conta com a participação do padre Bruno Sechi falando a respeito das perspectivas do ECA na Amazônia. José Arnaud, diretor de arte da Rádio, comenta sobre esse projeto. “Almejamos usar esse meio tão propagado no mundo que é o Youtube, como um meio de fazer educação popular, trabalhando com direitos humanos e meio ambiente e, assim, contribuir com melhorias na sociedade, com um mundo melhor. Queremos acompanhar essas mudanças e transformações dos meios de comunicação, mas sempre mantendo nossa característica de educação popular, de instituição que faz educação popular”, destaca.

Sem perder as origens – Além do investimento em mídias digitais, a ONG mantém suas ações nas comunidades e interior do estado do Pará, característica que fez parte de sua constituição e que a diferencia de outras instituições.

Carmem Pancera, gerente de projetos, ressalta essa característica mambembe da Rádio. “Nesse trabalho do Programa Municípios Verdes, nós desbravamos esse estado tão extenso, levamos, para esse público da zona rural, informação através dos elementos artísticos que a rádio utiliza na sua metodologia de trabalho: o teatro a música, a radionovela, porque acreditamos que a arte é um elemento possibilitador de sentimentos, de emoções, assim desencadeando um novo despertar, uma mudança de atitude. Colocamos os adultos pra dançar com o palhaço, resgatando essa criança que se permite brincar, sorrir e se divertir”, lembra Carmem.

Michele Coelho foi uma das contempladas pelas ações da ONG por meio do Programa Municípios Verdes e conta sobre a experiência. “Estamos aguardando o retorno do programa, pois foi de muita importância para nossas comunidades. O trabalho da equipe é maravilhoso! De uma forma alegre e dinâmica, eles conseguem repassar as informações necessárias para as comunidades e aqui foi muito positivo. Tenho ido nos interiores e o povo pergunta do retorno, quando eles estarão de volta”, afirmou.

Parcerias – Ao longo de sua caminhada, segundo a gerente de projetos, Eugênia Melo, a ONG formou uma rede de parcerias. “A Rádio Margarida participa e/ou é parceira de diversos órgãos que atuam no Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes, como o Comitê Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual, a República de Emaús, o Fórum Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, além de compormos assento no Conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente, onde se monitora e fiscaliza ações do governo, das instituições e implementação do Plano Decenal dos Direitos da Criança e do Adolescente”.

Além dessas parcerias de luta pelos direitos humanos, Eugênia conta sobre outras relacionadas ao meio ambiente. “Desenvolvemos projetos voltados a questão da educação ambiental junto com capacitações e oficinas para jovens, formando agentes ambientais. Há uma rede de ações que a gente desenvolve há mais de 15 anos com relação a coleta seletiva de lixo, na Vila dos Cabanos, na Serra dos Carajás. São programas que desenvolvemos junto a instituições como Imazon e Peabiru, para monitoramento e implementação de políticas voltadas para o meio ambiente. Nos últimos anos, trabalhamos com o Programa Municípios Verdes, falando sobre desmatamento e produção sustentável”, finalizou.

Reconhecimento –  A trajetória em defesa dos direitos humanos, principalmente o de crianças e adolescentes, rendeu grande reconhecimento para a ONG. No total, foram 11 premiações, como a do UNICEF, Escritório Norte: Arte educação com crianças e adolescentes, premiação concedida por National Lottery Of. The Nether Lands e Prêmio ITAÚ – UNICEF: Educação e participação. Além de reconhecimento, essa trajetória também  rendeu parceiros para a Rádio Margarida que, preocupados em transformar as realidades da região Amazônica, contribuem para implementação de projetos executados, como Petrobras, Childhood Brasil (WCF), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Fundação Avina, dentre outras.

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