Seminário apresenta propostas de proteção às crianças na Copa do Mundo 2014

Trabalho infantil, deslocamento forçado em função de obras de infraestrutura, tráfico humano e exploração sexual. Essas são as quatro categorias de riscos específicos que a Copa do Mundo de 2014 traz para as crianças e adolescentes brasileiros. Para chamar atenção e contextualizar esses pontos, o evento ONG Brasil reuniu, no último dia 29, as Organizações Não-Governamentais (ONGs) Childhood Brasil, Visão Mundial e Rede Evangélica Nacional de Ação Social (Renas).

No seminário “Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente no Contexto da Copa do Mundo”, as ONGs expuseram fontes de risco em grandes eventos. Entre os fatores que podem propiciar a violação de direitos estão a alta demanda de trabalho temporário – inclusive de mão de obra infantil –; migração de trabalhadores homens; deslocamento de crianças dos seus lares para locais temporários e desconhecidos; extensão das férias escolares sem supervisão ou programação especial; e coerção de crianças para atividades ilegais, como comércio de drogas e roubo.

Para a coordenadora do Projeto Copa, da Childhood Brasil, Tatiana Akabane, deve haver uma união da sociedade e dos setores público e privado para buscar soluções que estimulem ações de proteção à infância nas 12 cidades-sede da Copa, que gerem visibilidade para a causa e que engaje, principalmente, o setor privado. Tatiana reforçou a importância do comprometimento das empresas para que a Copa deixe um legado positivo para a infância. “Sabemos que sem esse setor será impossível acabarmos com a exploração de crianças e adolescentes no nosso país”.

A coordenadora da campanha “Bola na Rede”, da Renas, Débora Fahur, concorda que deve haver maior participação dos três setores. “Nossa missão na campanha é somar esforços para promover ações locais integradas, entre 2011 e 2014, e para mobilização de igrejas, visando a prevenção da exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo nas capitais onde haverá jogos”. Tatiana ressaltou ainda que é importante dar visibilidade ao tema de proteção da infância constantemente. “Imagine se conseguíssemos adotar parâmetros relacionados à proteção da infância como requisito para licitação do país-sede dos grandes eventos esportivos. Isso seria um sonho.”

A partir do projeto “Copa Visão Mundial 2014”, a coordenadora Natália Torres aponta um aumento do trabalho infantil nas zonas de obras e em indústrias de construção civil, além da exploração sexual nos arredores de obras e no turismo. “Há boatos de que os pacotes de turismo sexual já estão esgotados e isso é muito triste. O foco de fiscalização e segurança é voltado para manter a imagem e a segurança do turista, ainda mais agora em época de manifestações.”

Oportunidades

Ainda assim, Natália relata que a Visão Mundial faz uma análise positiva em relação à Copa por abrir oportunidades. “É um momento propício para investimento de infraestrutura e economia, além de facilitar o acesso às crianças e aos jovens. Devemos usar o esporte como ferramenta para falar de outros temas, como cidadania, gênero e direitos, por exemplo.”

Além do esporte para alavancar outros assuntos, a proposta também é capacitar as crianças para que elas saibam agir e tomar decisões em situações de violência. “Devemos olhar a criança como sujeita ativa de proteção de seus direitos e que ela influencie seus pares. Muitas vezes a criança se fecha por não saber como reagir ou em quem confiar”, afirma Natália.

Já Débora Fahur, da Renas, destaca a denúncia como primeiro passo para colocar a rede de proteção em ação. “Para cada caso notificado de abuso sexual, 20 não foram notificados em média. Quando o abusador é o provedor da casa, por exemplo, a família tem resistência a denunciar por vários medos, desde ficar sem ter o que comer até o de sofrer nas mãos do agressor”.

A Agenda de Convergência, proposta pelo governo, também foi destacada como importante para os avanços de ações no Brasil. “Devemos estar presentes ao máximo nas reuniões da Agenda junto à Secretaria de Direitos Humanos. É uma chance para planejamento e mobilizações reais”, destaca Tatiana, do Projeto Copa. Ela destaca ainda a criação de um grupo de trabalho para mapear indicadores para avaliar os 12 comitês locais de proteção à infância nas cidades-sede. “Se conseguirmos mapear dados, evidências e erros, será uma grande contribuição para países que sediarão a Copa futuramente, servindo de exemplo de boa prática para coibir a exploração de crianças”.

Fonte: Promenino

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