Caminhada contra o trabalho infantil percorre as ruas do bairro da Pedreira em Belém

“Trabalho não é coisa de criança”, a afirmação é do pequeno Josué de 11 anos. São com essas palavras que ele e seus colegas, do Centro de Referência e Assistência Social da Terra- Firme, se prepararam para participar da caminhada contra o trabalho infantil, que levou às ruas, na manhã do dia 18, terça-feira, no bairro da Pedreira, crianças, adolescentes e adultos de cinco municípios da região metropolitana de Belém.

A mobilização foi realizada pelo Fórum Paraense de Erradicação do Trabalho Infantil, o Fepeti, e teve como tema base o enfrentamento do trabalho infantil doméstico. A caminhada fez parte da programação da Caravana Norte, que percorre todos os Estados da região no enfrentamento ao trabalho infantil, pois os números ainda são alarmantes. No Brasil, aproximadamente 3,7 milhões de crianças e adolescentes com idade entre cinco e 17 anos estão trabalhando, como mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no período de 2008 a 2011.

A Caravana Norte é promovida pelo Ministério Público do Trabalho, Ministério de Trabalho e Emprego, Organização Internacional do Trabalho e instituições ligadas ao Fórum Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, o Fnepeti. O objetivo é sensibilizar a sociedade em relação a essa atividade e cobrar do poder público, ações que visem erradicar o trabalho infantil. A Caravana teve início em Roraima no dia 22 de maio e percorre todos os Estados da região Norte, encerrando no dia 26 de junho no Pará. Segundo a coordenadora do Fepeti, Sueli Mendonça a caminhada é um ponto de culminância de mobilização entre estados e municípios, “a caminhada realizada hoje, integra a mobilização da Caravana Norte que é realizada pelo Fnepeti sendo replicada pelos Fóruns Estaduais e posteriormente nos municípios através de uma série de parcerias”, afirmou a coordenadora.

Atualmente o Fepeti é constituído por 49 instituições que discutem e articulam as ações de enfrentamento ao trabalho infantil no Pará. “A direção colegiada do Fórum se reúne para debater as ações, mas, além disso, as reuniões vêm no sentido de esclarecer e mostrar todas as atividades que estão sendo desenvolvidas”, afirmou a chefe da inspeção do trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Pará, Deise Mácula, que também participa do Fórum.

A Secretaria de Estado de Assistência Social, Seas, é uma das instituições ligadas ao Fórum e uma das organizadoras da caminhada. Para a secretária adjunta da Seas, Meive Piacesi, estender a rede de parceria foi fundamental para o sucesso da caminhada. “Nós tivemos o apoio das prefeituras da região metropolitana de Belém e órgãos governamentais e não governamentais. Estão aqui Castanhal, Marituba, Ananindeua, Santa Barbara. Além das prefeituras a Seduc mobilizou as escolas para participarem da caminhada e a Autarquia de Mobilidade Urbana de Belém e Guarda Municipal fizeram a segurança”, esclareceu a secretária.

A caminhada teve início às 08:00 com a concentração em frente ao colégio Justo Chermont, depois seguiu pela avenida Pedro Miranda. Durante o percurso adolescentes se posicionaram contra o trabalho infantil. Foi o caso dos jovens Thiago Viana e David Oliveira, dos Cras Santa Bárbara e Ananindeua respectivamente. Alunos do colégio Nossa Senhora de Aparecida também se manifestaram com faixas e cartazes contra o trabalho infantil.

A caminhada seguiu até a Aldeia Cabana, onde foram preparadas atividades culturais, como a apresentação do grupo de carimbó Moara e encenações teatrais. Estiveram presentes equipes da Semas Castanhal, Cras Marituba, Cras Santa Bárbara, Cras Benevides, Cras Ananindeua, Cras Santana do Aurá, Cras Pedreira, Cras Terra-Firme, Cras Jurunas, Sejel, Seduc e IAP. Ao final, no intuito de dinamizar o conhecimento, o grupo de teatro Ribalta, do bairro da Terra-Firme, encenou uma radionovela sobre trabalho infantil doméstico produzida pela Rádio Margarida, pois como disse o Josué trabalho não é coisa de criança.

(Waldeir Paiva- Rádio Margarida)

 

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