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Índice de aprendizado é baixo no Pará



Pelo menos 70% dos alunos da rede pública de ensino não conseguem aprender o adequado nas escolas. Este é um dos resultados preliminares da Prova Brasil 2011, que avaliou o desempenho dos alunos do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental, nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. O resultado pode sofrer alterações até a conclusão final de análise dos dados do exame.

Contudo, já se sabe que 80% dos alunos do 5º ano ainda apresentam dificuldades para ler e interpretar textos. Os índices são mais preocupantes entre os alunos do 9ª ano, pois 86% deles também não sabem ler e interpretar textos adequadamente. No que se referem ao ensino da Matemática, as estatísticas se tornam mais preocupantes, pois 86% dos estudantes que estão no 5º ano não sabem interpretar textos e 95% não sabem resolver problemas matemáticos.

Os dados revelam as falhas na educação pública também no Pará. Dos 129.758 estudantes do 5º ano da rede pública que fizeram a Prova Brasil 2011, apenas 26.311 (20%) demonstraram habilidade em ler e interpretar textos. Do 9º ano, 82.905 alunos fizeram o exame de Português, mas somente 11.460 (14%) aprenderam o adequado. Em Matemática, a média de estudantes do 5º ano que sabem resolver os problemas e cálculos matemáticos é de 17.424 (14%) e do 9º ano apenas 4.249 (5%) tiveram um bom desempenho. Com isso o Pará ficou bem abaixo da média nacional no aprendizado das duas disciplinas.

No Brasil, onde existem cerca de 2,5 milhões de alunos matriculados no 5º ano do Ensino Fundamental, 37% deles conseguem interpretar adequadamente textos. Em Matemática, 33% consegue resolver problemas. Do universo de 2,4 milhões de alunos do 9º ano, 22% deles mostraram competência de leitura e 12% aprenderam o adequado em Matemática.

ALFABETIZAÇÃO

Para a professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Pará (Ufpa), Selma Pena, as escolas públicas precisam levar mais a sério o processo de alfabetização, que começa desde cedo, quando o aluno começa a estudar e ter contato com a leitura e escrita. “Se há falhas nesse processo inicial, então o aluno leva essa ‘falta’ para todas as séries subsequentes”, destacou. “As questões da Prova Brasil são elaboradas considerando as relações indissociáveis entre alfabetização e letramento. Ao que parece, pouquíssimas escolas têm trabalhado nessa perspectiva”, critica Selma.

De acordo com a professora de português Ângela Maria Pereira, os alunos do 6º e 8º ano são os que apresentam mais dificuldades em diferenciar a linguagem coloquial da culta. “A gente percebe que o aluno sabe se comunicar, mas tende a ter problemas na hora de escrever ortograficamente”, analisou.

Apesar das estatísticas, o coordenador de Ensino Fundamental da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Luiz Miguel Queiroz, diz que houve uma evolução no Estado. “A secretaria tem feito ações e está trabalhando junto com os professores de Português e Matemática para melhorar a metodologia de ensino”, destacou. O coordenador ressaltou que, no ano passado, os alunos da rede pública fizeram um simulado no qual o número de acertos das questões aumentou de 35% para 45%. “Estamos empenhados em melhorar a gestão escolar e na redução da evasão escolar”, frisou Luiz Miguel.

Fonte: Diário do Pará

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