Crias do Curro Velho fazem a “festa no céu” pelas ruas de Belém

Uma revoada de pássaros coloriu as ruas do Telégrafo na manhã do último sábado (2). O Grêmio Recreativo Escola de Samba Crias do Curro Velho invadiu a avenida Senador Lemos com o samba “Passaredo”, de Paulo Moura, reunindo 500 brincantes com idades a partir de cinco anos. O enredo trata de uma festa no céu que chama a atenção dos moradores de uma floresta encantada e reúne elementos da cultura e folclore paraense. O pequeno Lucas Carneiro, de 13 anos, sai todos os anos na bateria da Escola de Samba Crias do Curro Velho. “A bateria foi nota 10, saí tocando repique”.

Vivian Cristina e a filha saíram na bateria da Escola de Samba. Segundo Vivan, ela começou nas oficinas do Curro Velho e agora a filha segue o mesmo caminho. “Na minha vida o Curro Velho foi muito importante na questão da criação. Aqui eu aprendi com o mestre Muka e, a partir daí, eu também tive oportunidades de sair em outras escolas de samba de Belém”.

O cenógrafo Neto Amorim participa há mais de seis anos da confecção dos carros alegóricos, adereços e alegorias da Escola de Samba Crias do Curro Velho. “Eu trabalho com reciclagem, entrei no carnaval por meio das oficinas. Com 16 anos comecei a participar das oficinas. Fico muito gratificado com o resultado do trabalho, gosto de reciclagem por que limpa a cidade e traz alegria para as crianças”.

O desfile do Grêmio Recreativo Crias do Curro Velho é realizado há 22 anos pela Fundação Curro Velho, que tem como política a fabricação de fantasias, alegorias, adereços, o reaproveitamento de materiais naturais e resíduos industriais. Às 18h, as Crias do Curro Velho participam da “Bumbarqueira – Carnaval do Pará”, uma ação do Governo do Estado no Portal da Amazônia.

Enredo

Walter Figueiredo, diretor de extensão da Fundação Curro Velho (FCV) explica que o processo de criação do carnaval é coletivo e envolve os instrutores, crianças, jovens e moradores da comunidade do Telégrafo e arredores. “Aconteceram várias oficinas de arte e ofício voltadas para o carnaval. Toda a criação é feita através da educação, de compreender a cultura como reflexo da realidade e por meio da confecção de fantasias, criação do enredo, ensaios da bateira, exteriorizar estes conceitos”, destaca Walter.

O desfile reúne pessoas das comunidades próximas ao Curro Velho e também de outros bairros, em busca de um carnaval bom para ser curtido com crianças. Pequenas bailarinas e super heróis formam o coro que acompanha o desfile e traz mais alegria para a apresentação. Um dos destaques deste ano foi a bateria, 150 crianças e jovens colocaram todo mundo pra sambar. Entre os ritmistas estavam Jorge Lucas, de 11 anos, e Caio Vinicius, de 6. Os dois meninos são, respectivamente, filho e neto de Jorge Seabra dos Santos, morador da Vila da Barca, que na década de 80, ainda menino, tocava caixa no carnaval das crias do Curro Velho.

“Eu fui um destes meninos, toquei durante quatro anos nesta bateria, é muito bom poder acompanhar meu filho e meu neto agora. O Curro Velho foi muito importante para a minha formação, lá aprendi a importância da educação e do respeito, quero que eles vivam esta experiência e se tornem pessoas melhores, com mais possibilidade de educação, com atividades extracurriculares”, disse Jorge Santos. As duas crianças ainda participaram da criação da logomarca do carnaval do FCV deste ano. Jorge Lucas foi responsável pelo desenho do guará, disposto bem no centro entre os outros pássaros, e Caio Vinicius desenhou o passarinho verde.

A escola desfilou com oito alas, dois carros alegóricos, comissão de frente, passistas, três casais de mestre sala e porta bandeira e porta estandarte. Todas as fantasias foram criadas a partir do tema “Pássaros”, que surgiu nas oficinas de serigrafia realizadas em 2012. Tadeu Nunes, técnico em gestão cultural da FCV explicou como tudo aconteceu. “Trabalhamos com o tema pássaros e ele acabou inspirando o carnaval deste ano. No desfile existem traços dos pássaros juninos, das aves da Amazônia, além da história fantástica idealizada para enredo do desfile deste ano. Tudo acontece utilizando material reciclado e com a ajuda da comunidade”, explicou.

Fonte: Agência Pará

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