Conferência abordou as prioridades para a saúde da criança

As perspectivas e a situação atual de atenção à saúde da criança para os próximos anos foram apresentadas em conferência ontem, terça-feira (18), no auditório da Escola Superior da Amazônia (Esamaz). O evento fez parte do I Encontro Paraense de Saúde da Criança e Aleitamento Materno, promovido pela Coordenação Estadual de Saúde da Criança da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Fundação Santa Casa de Misericórdia e Pro Paz, entre outras instituições.

A conferência foi presidida pelo representante da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Oscar Suriel, e ministrada pelo consultor internacional sobre saúde infantil, neonatal e da família Yehuda Benguigui. O debate fez referência ao cumprimento das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), item 4, que trata dos indicadores da área da saúde da criança nos quesitos mortalidades neonatal, infantil e mortalidade de menores de 5 anos. Faltam três anos para o alcance do ODM, que propõe a redução de pelo menos dois terços da mortalidade no período de 1990 a 2015.

Foram discutidos assuntos relacionados à problemática da atenção pediátrica, tendências em função das determinantes em saúde, além dos desafios futuros do período após o ODM. Segundo Yehuda Benguigui, a falta de políticas públicas adequadas nos setores da saúde e saneamento, a desigualdade e o desemprego são os determinantes que mais afetam a saúde da população.

Segundo o consultor, é preciso haver mais formação de especialistas na área de pediatria para fortalecer os serviços de atenção à saúde da criança ainda na atenção básica. Ele destacou que, segundo indicadores, a prevalência das doenças na infância entre 2010 a 2015 serão as infecções respiratórias agudas, as doenças diarreicas agudas e a desnutrição.

Futuramente, de 2015 a 2025, segundo as perspectivas, se destacarão a obesidade na infância, a malformação congênita e também os maus tratos. “É preciso desde já tomarmos medidas enérgicas para intervirmos nesse processo”, completou Yehuda Benguigui.

Segundo o site ODM Brasil, a taxa de mortalidade infantil (em menores de 1 ano) por mil nascidos vivos caiu de 29,7, em 2000, pra 15,6, em 2010. Essa taxa é menor que a meta prevista para 2015, de 15,7 por mil nascidos vivos. A queda mais acentuada ocorreu na região Norte (-58,6%), que ainda apresenta a taxa mais elevada do Brasil: 18,5 por mil nascidos vivos.

A taxa de mortalidade das crianças abaixo de 5 anos apresentou queda de 65% entre 1990 e 2010. O número de óbitos por mil nascidos vivos passou de 53,7 para 19 óbitos. Os indicadores demonstram que tanto as taxas de mortalidade de menores de 5 anos e menores de 1 ano apresentaram forte queda entre 1990 e 2010. A mortalidade infantil está concentrada nos primeiros meses de vida, no período neonatal precoce (0 a 6 dias) e neonatal tardio (7 a 27 dias).

Na avaliação de Yehuda Benguigui, o Brasil está no caminho certo para alcançar as metas da ODM. O consultor disse que a média e os indicadores são os maiores desafios em algumas localidades. Ele ressaltou ainda que para melhorar este cenário é preciso enfocar nas áreas geográficas, principalmente nas localidades mais carentes.

“O primeiro passo é Iniciar imediatamente uma discussão e a planificação das metas, elaborando recursos e estratégias que servirão também para as décadas de 2015 a 2025. É necessário promover a extensão de cobertura, além de aumentar a captação de recursos nas áreas que necessitam de prevenção e promoção da saúde”, concluiu.

Fonte: Agência Pará de Notícias.

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