Icoaraci: Polícia tenta elucidar caso. Entidades protestam. Imprensa condena

Matéria diz que delegada afirmou que jovens eram criminosos

Cerca de 15 pessoas já foram ouvidas a respeito da chacina de seis adolescentes, ocorrida no distrito de Icoaraci na noite de sábado, 19. Os meninos tinham entre 14 e 17 anos e foram assassinados a tiros quando conversavam próximo de suas casas. Familiares, vizinhos, moradores das proximidades e policiais militares que atenderam a ocorrência compareceram na Divisão de Homicídios, no bairro de São Brás, para dar sua versão dos fatos.

As testemunhas dizem que dois homens, em uma moto vermelha, teriam se identificado como policiais mandado os adolescentes ajoelharem no chão, virados para a parede. Segundo relatos dados à polícia, apenas um deles teria descido da moto e feito os disparos. Ainda não existem suspeitos da autoria da chacina.

De acordo com a Polícia Civil, apenas um dos adolescentes tinha um registro na Divisão de Atendimento ao Adolescente (DATA), decorrente de uma briga na escola. Os demais jovens não tinham envolvimento com tráfico de drogas, roubo ou qualquer crime.

Imprensa divulga informações equivocadas

Comentário postado sobre a matéria em portal local

Após o crime a imprensa local e nacional divulgou inúmeras notícias desencontradas sobre o caso. Algumas delas afirmavam que as vítimas teriam envolvimento com crimes, tráfico de entorpecentes, que seriam usuário de drogas e teriam passagem na DATA.

A advogado e representante do Cedeca, Bruno Guimarães, criticou essa postura e afirmou que a polícia se precipitou ao divulgar nas primeiras entrevistas que alguns dos jovens tinham registro na Divisão de Atendimento ao Adolescente. “Qualquer informação sobre as vítimas deve ser divulgada de maneira cautelosa e com respeito à dignidade da família e da memória das vítimas”, Afirmou.

Outro comentário exalta ação dos executores

Segundo um portal de notícias de Belém, a diretora de Polícia Metropolitana, delegada Ione Coelho, teria dito que as vítimas já tinham passagem pela polícia por pequenos furtos e também que seriam usuários de drogas. Essa informação foi replicada durante a semana, o que gerou uma série de comentários pejorativos sobre os adolescentes. A delegada, através de nota publicada no site da Polícia Civil, negou ter dado essas declarações.

Força-tarefa

Para dar uma resposta à sociedade o governador Simão Jatene determinou a criação de uma “Força-tarefa” para investigar o caso. A ação será coordenada pela Secretaria de Segurança Pública do estado do Pará, com apoio da divisão de homicídios e participação de técnicos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, policiais civis e militares da área de inteligência e agentes do Centro Estratégico Integrado (CEI). O inquérito é presidido pelo delegado da Divisão de Homicídios, Lenoir Cunha.

Posicionamento

Na manhã de quarta-feira, 23, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca-Emaús), juntamente com outras instituições da sociedade civil de defesa da Criança e do adolescente, concedeu entrevista coletiva para falar sobre o caso. O advogado da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Sérgio Martins, falou que as características do crime revelam indícios de execução e também participação de grupos de extermínio.

Uma comissão formada por representantes do Cedeca-Emaús, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), SDDH, entre outras, foi criada para acompanhar o andamento do caso. De acordo com a coordenadora do Emaús, Graça Trapasso, a intenção é mobilizar a sociedade e as instituições que lutam pelos direitos da criança e do adolescente para não deixar o caso cair no esquecimento.

“A mortandade de jovens já é considerada uma situação comum, corriqueira no Estado, precisamos modificar essa atitude de violência” ressalta Graça Trapasso.

A comissão o Cedeca ficará responsável pelo acompanhamento jurídico do caso, pelo direcionamento administrativo e social às famílias das vítimas.

O deputado federal e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, da Câmara Federal, Arnaldo Jordy (PPS/Pa), manifestou preocupação com os assassinatos de jovens em Belém e cobrou rigor nas apurações.

 

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