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Criança e trabalho não combinam

Foto: José Pantoja/Ag. Pará

Mais de 150mil crianças e adolescentes de 5 à 17 anos trabalham no estado, dado divulgado na última sexta-feira (10) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA).

Mesmo com o índice geral em queda, ainda temos milhares de crianças e adolescentes que deixam as escolas para trabalhar nas ruas, carvoarias, feiras e até lixões para ajudar na renda familiar. São trabalhos inadequados que comprometem à saúde física e psicológica, impedindo assim o desenvolvimento humano. Infelizmente a cultura de que “é melhor trabalhar do que roubar”, ainda impera na sociedade brasileira. Sendo assim, principalmente pais e responsáveis incentivam o trabalho infantil, com a justificativa de que essa atividade é fundamental para o pleno desenvolvimento da criança. Engano. Toda criança e adolescente está em transição física e psicológica, por tanto, o lugar para essa transição assistida, é na escola.

A necessidade de crianças e adolescentes contribuírem financeiramente em casa é pela dificuldade de emprego ou ocupação mal remunerada dos pais ou responsáveis. “Se gerarmos mais empregos no país, muito mais pais vão estar empregados e mais crianças estarão fora do trabalho”, explica Roberto Sena supervisor técnico do Dieese.

O dia 12 de junho é lembrado no Brasil e no mundo como data especial de combate ao trabalho infantil, esse ano a campanha traz o tema: “Trabalho Infantil. Deixar de estudar é um dos riscos”. A escola é peça fundamental para o pleno desenvolvimento da cidadania. “Mais emprego, melhor renda, políticas públicas e esforço coletivo. Tudo isso se chama redução do trabalho infantil e melhora na condição de vida”, completa Sena.

Os dados alarmantes disponibilizados pelo Dieese servem para despertar entidades públicas e sociedade civil, para um problema social e econômico. “Precisamos do Conselho Tutelar, melhorias na área da saúde, educação, sistema de garantia de direitos através do Ministério Público e da sociedade de maneira geral para enfrentar esse problema não só hoje, mas durante todo o ano”, diz Rosiane Costa representante da Secretaria de Estado e Desenvolvimento Social do Estado do Pará (Sedes).

O trabalho infantil não se dá apenas em comércios ou feiras públicas, mas consiste também no abuso físico, psicológico e sexual, em equipamentos ou ferramentas perigosas, cargas pesadas, ambientes insalubres e longa jornada de trabalho, esse conjunto de atividades comprometem o desenvolvimento físico e psíquico. Para Renata Santos, do Cedeca/Emaús, a luta é constante. “12 de junho é dia de impulsionar porque combater é todo dia. Temos que sonhar, a erradicação é possível” diz.

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