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Rádio Margarida: há 20 anos educando com arte

Teatro de Bonecos sempre esteve presente nas ações da Rádio Margarida
Teatro de Bonecos sempre esteve presente nas ações da Rádio Margarida

Dedicação, amor à arte e muita determinação foram os ingredientes fundamentais para a realização de um sonho ousado: transformação social e cultural de crianças e adolescentes do Estado do Pará. “É não desistir e acreditar sempre”, diz Eugênia Melo uma das fundadoras do projeto que, até hoje, luta para realizar a cada dia novos sonhos. Ela, que desde a adolescência trabalha com teatro de bonecos, não hesitou em se juntar aos amigos Osmar Pancera, Carmem Lima (Carminha) e Rodmilson Cuité para mais essa empreitada.

Há 20 anos o Centro Artístico Cultural Belém Amazônia (CACBA) – Rádio Margarida leva arte, alegria, educação e cultura às comunidades da capital e interior do estado. Histórias, lutas e conquistas já se somaram ao longo do tempo. Hoje conta com uma equipe que tem compromisso social como prioridade.

O Margaridinha é um dos principais símbolos da Rádio

O primeiro passo desse projeto teve inicio em 1990 com a pesquisa-ação: “Belém de Nazar-Ert, portal da Amazônia”, que consistiu na análise, experiências e trabalhos realizados com crianças, adolescentes, jovens e adultos em situação de risco. “A Rádio Margarida nasceu desde o seu principio para servir, não confundir com serviços assistenciais apenas, mas no sentido de produzir artística e culturalmente para contribuir com a educação”, explica Osmar Pancera, fundador da ONG Rádio Margarida, assistente social e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA). O resultado dessa pesquisa deu origem ao livro de ouro, que reúne relatos e experiências de um cidadão que viu e viveu de perto a situação excludente dessas crianças.

O projeto é cercado de símbolos, os dois principais são o ônibus e a logo-marca. “Arte, alegria, divertimento, prazer, educação, que junto com a Rádio movimentam a transformação social, desenvolvimento da consciência das condições materiais, espirituais. O ônibus e o símbolo se unem para promover a missão e a visão da Radio Margarida”, afirma Pancera.

A primeira saída foi uma viagem para Mosqueiro

Comprado em 1991, o ônibus Margaridinha, como é carinhosamente chamado, é um espaço cênico móvel capaz de transportar educação, alegria, informação, arte e cultura a qualquer cidadão. Esse veículo da II Guerra Mundial serviu por muito tempo à República do Pequeno Vendedor, para o transporte de crianças, adolescentes, jornaleiros e também para passeios em Mosqueiro, Outeiro e outras regiões paraenses.

A compra desse ônibus, patrimônio público da cidade, simbolizou a ponte entre o sonho e a realidade do projeto ainda embrionário, que junto com os quatro amigos sonhadores, não mediram esforços, no início, ainda sem estrutura, foram movidos pela força e vontade política de contribuir para transformação do cenário de exclusão social.

No dia 20 julho de 1991 houve a primeira aparição pública do projeto. Realizada em Mosqueiro, distrito de Belém, em parceria com a Prefeitura Municipal. O evento intitulado “Rádio da Ilha” estava marcado para as 9h, mas no percurso foram parados por policiais rodoviários e só chegaram às 17 h na praia do Ariramba. Mas ainda assim, nada tirou o prazer e o brilho da primeira ação. Palhaços, bonecos de manipulação, locutores, jornalistas, projetores e um toca-fitas eram as principais atrações do evento que reuniu crianças, jovens e adultos para ver de perto a Rádio Margarida: a boca dos corações. Desde então as ações não pararam mais, sempre levando com seriedade arte-educação à comunidade.

Como estudantes e profissionais na época, não tinham tempo durante o dia para ensaiar os espetáculos, foi aí que a madrugada serviu como única alternativa para a produção do projeto cultural. Os cinco primeiros anos sem recursos, não frearam os sonhos dos jovens idealizadores. “Nunca pensamos em desistir, por que acreditamos muito”, lembra Eugênia.

Teatro e humor são especialidades da Rádio Margarida

A Rádio Margarida acredita que o processo de construção coletiva é melhor caminho para alcançar de maneira eficaz o homem. “Eu só acredito que alguém possa entender se participar disso”, conclui Osmar. A linguagem artística transforma não só cultural, mas social e economicamente um país, mas isso graças à participação popular.

Nessas duas décadas é impossível destacar um ou dois momentos marcantes, vasculhando o baú da memória Carmem Lima (Carminha) relembra em 2010 o prêmio ANU, da Central Única das Favelas (CUFA) reconheceu o projeto “Novas práticas educativas: em defesa da criança e do adolescente” como instrumento de valorização social e cultural nas periferias do Pará. A premiação foi muito importante para o reconhecimento nacional do projeto. “Quando alguém diz que trabalha com crianças e adolescentes em outros estados com o nosso material é muito gratificante” diz Carminha, “o que move a gente são sonhos”, conclui.

Mas prêmios materiais não são o mais importante para a Radio Margarida, poder contribuir na construção do caráter de cada criança ou adolescente é muito maior “ouvir de alguém que foi atendido pelo projeto, ‘hoje eu sei que posso’, tem um significado muito grande pra gente” destaca Carminha.

No ano de aniversário da Rádio, o desejo de quem deu inicio ao projeto são os mesmos. “Que esses 20 anos se multipliquem e não seja perdida a essência da ONG Rádio Margarida que é irradiar arte-educação a todos”, conclui Eugênia Melo.

Um comentário sobre “Rádio Margarida: há 20 anos educando com arte

  1. […] A ousadia dos amigos Osmar Pancera, Carmem Chaves (Carminha), Eugênia Melo e Rodmilson Cuité há 20 anos, contagiou amigos e pessoas que se interessavam em conhecer um pouco mais do projeto Rádio Margarida. […]

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